sexta-feira, 22 de julho de 2016

Beatus Pater


Como tanta luz o traz?
Ilumina o mais breu da escuridão
Na inocência do ser se faz.
O mais insigne âmago da paixão.

Como podes sua ternura fazer?
Eu a entender os mais errantes.
Da minha vida ao seu brilho ao nascer.
Transbordou-se o amor, quão relutante.

Acreditam os seres na felicidade.
Na busca sempre a almejá-la.
Na incessante, esquecem-se da capacidade.
Do interior de si próprio alcançá-la.

E tudo na vida, por afinidade atrai.
Nas palavras do Cordeiro nos diz.
No milagre da vida de ser pai.
Nunca mais fui infeliz.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Coisas Que a Ciência Não Explica


Como vai exemplo que almejo?
Já faz algum tempo que não o vejo.
Desde aquele dia da despedida.
Nos caminhos da estrada finita.

Vivendo um sonho, chegada e partida.
O que conforta é a fé, o amor e a vida
São coisas que a ciência não explica.

Lembra daquele som da guitarra alta.
Que fingia que não gostava .
Toda vez que tocava, fechava a porta da sala.
As vezes até a porta faz falta.

Vivendo um sonho, um futuro que brilha.
O que importa é a fé, o amor e a vida
São coisas que a ciência não explica.

Sinto saudades desde toda esta mudança.
Mesmo o tempo que vai, fica a esperança.
A vida passa como a chuva e o vento.
Sei que para nos encontrarmos será questão de tempo.

Vivendo um sonho, uma estrada, uma sina.
O que trilha é a fé, o amor e a vida.
São coisas que a ciência não explica.



*Escrito por Luiz Augusto de Moraes Silva em 20/07/2015.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ariano

Na sala de espera do fórum celestial, Ariano aguarda sua hora de ser chamado para o julgamento. Com o olhar sereno e tranquilo, Ariano vê sentar do seu lado Chicó, Rosinha e João Grilo.

- Oxi, o que vocês fazem aqui? pergunta Ariano.

- Nós viemos ser testemunhas do seu julgamento Painho. Responde Rosinha.

- É verdade Painho, com aquele promotor que é o cão e que vê maldade na onde não existe, você vai precisar de testemunhas para dizer o que fez na terra.

- Nós vamos ver denovo aquele cão é? Pergunta Chicó a João Grilo.

- Vamos sim Chicó, e me disseram que está mais bravo e convencido do que antes, porque está ganhando muitas causas.

- Oxi, O promessa desgraçada, o promessa sem jeito. Exclama Chicó preocupado.

- Mas nós sabemos painho, de tudo que você fez na terra, do circo da onça malhada, que percorreu o Pernambuco inteiro fazendo as aulas espetáculos para quem nunca viu uma aula ou um teatro na vida. Das palestras que painho dava no Brasil inteiro exaltando a língua Portuguesa, mostrando o jeito de nosso povo, do seu sofrimento,da miséria, da fome, do sertão sem água, até em Sertânia, painho foi dar aula. Fala Rosinha
- E como vocês souberam disso? Pergunta Ariano.

- Oxi, até parece que não sabe, somos criação sua, filhos da sua criatividade, sabemos tudo do senhor, responde João Grilo, bem no seu modo de dizer.

- Mas como vamos ganhar do promotor? aquele cão tá dez vezes mais bravo e melhor, está ganhando tudo, ai meu Deus!

- Ainda bem que Rosinha deu um pedacinho de Pão para aquele andarilho negrinho que passou entre nós, ele que vai ser o juiz e vai decidir o paradeiro de Painho. - fala João Grilo.

- É mas lembra que antes disso você miserou o pedaço para ele né João - Fala Rosinha.

- Ai meu Deus do Céu estamos perdidos, o cão vai levar a gente também, o promessa desgraçada, o, promessa sem jeito. Painho o que vamos fazer? Pergunta Chicó.

- Não se avexe meus filhos. responde Ariano.

- Não se avexar? Todo mundo vai para o lugar mais quente do mundo Painho Exclama Chicó.

- Bem que mais quente que o sertão do Pernambuco eu num vi não, brinca João Grilo.

- É verdade painho, se você for condenado, vamos todos para a casa do cão, o que vamos fazer? pergunta Rosinha.

- Não se avexem meus filhos, eu já arrumei tudo. Responde sereno o Senhor Ariano.

- Arrumou tudo painho, como assim? O promotor cão não se vende, e o andarilho negrinho muito menos, o que o senhor arrumou, painho?. Diz Rosinha apreensiva.

- Ariano olha para todos e na sua serenidade ele diz:

- Eu arrumei a melhor advogada de todos os tempos para me defender!

E com o olhar de esperança João Grilo, Chicó, Rosinha e Ariano se entreolham e começam a suplicar:

"Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio,mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher."

Só sei que foi assim...

Uma homenagem desse humilde leitor ao escritor Ariano Suassuna.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sapatos

Um tempo atrás um ex-colega de trabalho resolveu debochar sobre o meu sapato que estava surrado. Então ao invés de fazer guerra eu prefiro fazer poesia.!

Os sapatos e o caminho
Perfazem a reta tênue do futuro
Onde o caminho percorre o destino
Os sapatos vão sem desatino

Os sapatos demonstram o destino
Cada um com sua presença
Do sapato do ilustre Doutor
Às Botas do humilde Lavrador

Dos exuberantes da bela atriz
Aos saltos da louca meretriz
Das sandálias dos guerreiros espartanos
Aos marrons dos senadores romanos

Eu continuo com os meus companheiros fiéis
Que não jogo aos ares
Sapatos que não abandono
Pois às vezes me questiono
O porquê de tantos pares

Se só tenho dois pés.

sábado, 11 de maio de 2013

Dreams

Época de verão, fim de ano, tocava o sino do final da aula e ía para a casa que ficava a um quarteirão da escola onde chegava, deixava o caderno, sem muitas anotações, encima da mesa e ia direto para a sala onde havia um aparelho de som. Ali eu ficava até o fim da tarde ouvindo NIrvana através de um CD que comprei de um amigo.   
Ficava horas ouvindo aquele CD e imaginando como aquele sujeito cantava daquela forma gritada e ainda tocava guitarra, ouvia tanto aquele CD que acabei enjoando de todas as músicas e resolvi procurar outro som para ouvir, encontrei uma banda americana chamada Van Halen no qual gravei uma fita com o melhor desta banda e comecei a ouvir. Já na primeira música o impacto foi fulminante, uma guitarra dissonante com uma distorção de quebrar vidro de qualquer janela começou a tocar no som, meu pai logo que ouviu a barulheira foi até a sala e fechou a porta para o som não propagar até a cozinha e eu estava lá, sonhando com aquele som que saía daquela guitarra através daquele guitarrista, que era baixinho igual eu, e pronto, meu sonho era ser o Eddie Van Halen e descontar tudo que eu tinha raiva numa guitarra.
Lembro que fui procurar alguém para dar aula de guitarra e acabei achando um professor bem a moda do rock´n roll, cabeludo, meio desleixado e mesmo assim ainda tinha algumas mulheres que frequentavam a sua casa. O professor me mostrou a guitarra que usava, uma guitarra cinza com alguns brilhantes, simplesmente linda. Pois bem, ele pegou a guitarra, plugou num amplificador e começou a solar, o sujeito tocava demais e o bobão aqui ficou babando vendo tudo aquilo.
Comecei as aulas e vi o tanto que era difícil no começo tocar guitarra, não era só pegar ligar e tocar. Havia muita teoria, muita escala, muito cromatismo, muitos acordes para aprender e muito treino para tentar ao menos tocar um solo de alguma música de rock´n roll. 
Como não tinha guitarra, pedi uma para o meu pai e pelo fato de ser dezembro, mês de meu aniversário e do décimo terceiro acabei ganhando uma Tagima Zero , branca e linda na qual tenho até hoje. Esta guitarra foi minha namorada durante muito tempo, como deixei o cabelo crescer não tinha muitas garotas que se interessavam por mim, ou seja, não era belo e mesmo assim não havia mil garotas afim, então eu ficava o dia inteiro trancado na sala de casa treinando e tocando guitarra.
E de tanto treinar, algum tempo depois, comecei a tocar as músicas da banda daquele baixinho que eu tinha o sonho de ser igual e de certa forma eu me senti como se conseguisse ser o Eddie. Eu estava tocando os solos do meu ídolo e ninguém tiraria aquilo de mim.
E depois disso montei banda com meus amigos, tocamos em encontro de motoqueiros e bares,foram shows pequenos, mas de uma certa forma para mim foram show.
Na vida se você almeja algo que sonha, você tem que treinar muito, sempre com muito amor e ao mesmo tempo abrir mão de algumas coisas, mas posso dizer sem sombra de dúvida que vale a pena.

"And in the end on dreams we will depend
`Cause that´s what love is made of"

"E no fim, é dos sonhos que dependeremos
Porque é disso que o amor é feito"

Dreams - Van Halen

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Criptonita



Era uma quarta feira de dezembro, dia de jogo decisivo do tricolor paulista para alcançar a final de um campeonato internacional e eu tinha acabado de chegar em casa, do trabalho.
Tinha comigo minha eterna namorada, minha cunhada e meu sobrinho, um garotinho de olhos puxados, de cabelos loiros pele branca que fica com o rosto rosado com um simples esforço e que consegui influenciar a ser tricolor como eu.
Pois bem, o jogo iria começar, fui à cozinha pegar uma cerveja sentei no sofá e o telefone ligou, atendi e o motivo da ligação era uma ocorrência policial envolvendo um funcionário da empresa no qual necessitavam do meu suporte.
Pronto! Acabou meu jogo, minha cerveja e a minha paciência, fiquei nervoso e impensadamente dei um soco no sofá e quando olhei para o lado vi meu sobrinho olhando assustado para mim, ele nunca tinha visto eu agir daquela maneira, apesar de já ter visto outras pessoas agindo desta forma.
Vesti o terno, ajeitei o cabelo coloquei o sapato e quando fui sair, meu sobrinho perguntou se eu iria voltar nervoso da delegacia, aquela pergunta de alguma maneira me bloqueou, me fez pensar na conduta que cometi sem pensar. Respondi que se o tricolor ganhasse eu iria voltar feliz e fui solucionar a ocorrência.
Chegando na delegacia, avistei um senhor sentado isolado das demais pessoas e logo percebi que este senhor era quem eu deveria prestar suporte jurídico, um pouco afastado estava uma senhora de meia idade, uma jovem e um garotinho um pouco menor que meu sobrinho, todos juntos olhando para mim mas sem falar nada.
Cheguei, sentei do lado do senhor fiz algumas perguntas e orientações e os demais procedimentos jurídicos de praxe. Neste ínterim vi que a senhora, a jovem e o garoto não tiravam o olho de mim, estavam assustados e preocupados, provavelmente nunca tinham ido a uma delegacia por isso resolvi perguntar para o senhor quem eram essas pessoas e ele disse que era sua família, sua esposa, sua filha e seu neto e novamente agi de maneira abrupta, mas desta vez de forma benéfica e abri um sorriso para eles. Levantei e fui em direção à família do senhor e expliquei a situação e olhando para o chão vi aquele menino que de alguma forma estava vendo seu avô naquela situação vexatória e sem entender o que estava acontecendo estava olhando para aquele sujeito baixinho de terno a sua frente, abaixei em direção ao garoto vi seu semblante de preocupação e falei que “já já” ele iria embora junto com seu avô, a mãe do garoto abriu um sorriso e a senhora segurou o choro e logo após o senhor já estava liberado para ir para a casa e quando eu estava indo embora ele me parou, perguntou meu nome, agradeceu e tomamos rumos diferentes.
No caminho de volta para casa, fiquei pensando que cada ação que cometemos somos responsáveis e que às vezes agimos de forma impulsiva e de forma impensada deixando as emoções tomarem conta das nossas condutas e como consequência de nossos atos podemos atingir as pessoas que nos amam e que estão ao nosso lado. Os sentimentos como o nervosismo, ciúmes, tristeza e a baixa autoestima podem ser a fraqueza do ser humano, assim como a criptonita é para o super-homem e não há como bloqueá-las e não é com o estalar dos dedos que elas somem, mas sim com o passar do tempo e com o pensamento de nossas atitudes. É assim que o fraco Ser humano pensante passa a ser o super-homem.
Enfim, cheguei em casa duas horas da manhã, entrei no quarto e estavam todos dormindo, no colchão estava aquele bonequinho loiro dormindo o sono dos anjos, troquei de roupa deitei e dormi já sabendo que o Tricolor havia vencido o jogo e estava na final do campeonato.
Como prometido ao Luiz Davi, cheguei feliz em casa, mas pensei comigo mesmo que aquela felicidade não era pelo simples fato do meu time ter chegado a final do campeonato, mas também de ter visto alguns rostos brilharem com uma alegria sincera.

Um abraço a todos e fiquem com Deus.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Abrahan Lincoln

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln nasceu em 1809 e faleceu, vítima de atentado, em 1865, tendo sido o 16º presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Até hoje, no seu túmulo em Springfield, onde ele morou de 1837 e 1861, está gravada no mármore a frase de Edwin M. Stanton: "Agora ele pertence às idades".
Contou Hélio Sodré que o assassínio de Lincoln encheu de revolta grande parte do povo norte-americano e seus funerais reuniram multidão estimada em um milhão e quinhentos mil cidadãos. É um exemplo incontestável de que é possível vencer com o seu próprio sacrifício.
Em sua mocidade, Lincoln lia, embevecido, as obras de Shakespeare, que o acompanhou até os últimos dias, juntamente com um exemplar da Bíblia. No grande dramaturgo inglês, esse adorável advogado americano deve ter lido o imortal conceito:
"Ser verdadeiramente grande é não mover-se senão nas grandes causas."
Ainda menino, Abraham Lincoln andava vinte e tantos quilômetros até as cidades ribeirinhas, quando havia sessão do Tribunal, a fim de ouvir o debate dos advogados. depois, quando regressava ao trabalho, de repente soltava no campo o enxadão, subia na cerca e repetia os discursos que ouvira dos advogados de Rockport de Boonville.
Um dia um carreiro, que ia para Iowa, parou o seu veículo diante da casa de comércio de Abraham Lincoln, que na época tinha como sócio Berry, um bêbado, filho de um ministro protestante, e daí a vendinha de Lincoln e Berry.
Os cavalos estavam cansados e o cocheiro decidiu aliviar a carga, vendendo a Lincolnuma barrica contendo miudezas domésticas. Lincoln não precisava delas, mas teve pena dos cavalos, pagando ao carreiro 50 centavos sem examinar o conteúdo da barrica.
Uma quinzena depois, despejou o conteúdo ao chão para ver o que ali havia, e eis que no fundo da tralha havia uma edição completa dos "Comentários de Direito" de Blackstone, que Lincoln se pôs a ler. Os lavradores estavam no campo, os fregueses eram raros e havia bastante tempo, e quanto mais lia, mais interessado Lincoln ficava. Nenhum livro lhe interessara tanto, em toda a sua vida. Leu tudo vorazmente e em pouco tempo havia lido os quatro volumes. Tomou então uma decisão séria em sua vida: seria advogado.
Estudou com muitas dificuldades, sendo auxiliado pelos amigos inúmeras vezes, tendo chegado a desanimar algumas vezes, como no dia em que parou na carpintaria de Page Eaton em Springfield e confessou que tinha vontade de abandonar a advocacia e trabalhar como carpinteiro. Outra vez, em New Salem, pensou muito em abandonar os estudos de Direito e fazer-se ferreiro.
Formado, a advocacia não lhe rendia grande coisa e por isto passava por apuros para pagar as suas contas. De fato, atritava-se muito com a esposa Mary, que o acusava constantemente de não saber cobrar os honorários, ou melhor, cobrá-los a preços muito módicos. Os próprios advogados se aborreciam com Lincoln por causa de seus honorários muito baixos e afirmavam que ele estava empobrecendo a todos os seus colegas.
Em 1853, quando tinha 44 anos e seria presidente dentro de oito, não ganhou mais do que 30 dólares para tratar de quatro processos no Tribunal Itinerante de McLean. Dizia que seus clientes eram tão pobres quanto ele e que não tinha coragem de lhes cobrar muito.
Noutro caso - contou Dale Carnegie - impediu que um patife se apossasse de dez mil dólares, propriedade de uma jovem demente. Lincoln ganhou o caso em 20 minutos e dali a uma hora o seu sócio, Ward Lamon, veio dividir os honorários de 250 dólares.Lincoln criticou-o, acerbamente, mas Lamon retrucou que os tratados previamente e que o irmão da cliente estava de acordo.
"Pode ser, redarguiu Lincoln, mas eu não estou. Esse dinheiro sai da bolsa de uma pobre louca. Prefiro passar fome a me aproveitar dela dessa forma. Ou você devolve, ou pelo menos, a metade, ou não aceito um centavo."
Em outra causa, em que um despachante cobrava de uma viúva de um soldado revolucionário a metade de sua pensão de 400 dólares, levando a velhinha à miséria,Lincoln processou o despachante, ganhou a causa e não cobrou um centil da cliente; ao contrário, pagou-lhe a conta do hotel e lhe deu dinheiro para o bilhete de volta.
Às vezes aconselhava os seus clientes a resolverem a pendência por via amigável, e não cobrava nada pela consulta.
Por todas essas coisas, a esposa Mary Lincoln vivia a brigar com o marido: ele não "subia" na vida, enquanto outros advogados enriqueciam à custa dos clientes e das boas aplicações oriundas dos honorários advocatícios.

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP