quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sapatos

Um tempo atrás um ex-colega de trabalho resolveu debochar sobre o meu sapato que estava surrado. Então ao invés de fazer guerra eu prefiro fazer poesia.!

Os sapatos e o caminho
Perfazem a reta tênue do futuro
Onde o caminho percorre o destino
Os sapatos vão sem desatino

Os sapatos demonstram o destino
Cada um com sua presença
Do sapato do ilustre Doutor
Às Botas do humilde Lavrador

Dos exuberantes da bela atriz
Aos saltos da louca meretriz
Das sandálias dos guerreiros espartanos
Aos marrons dos senadores romanos

Eu continuo com os meus companheiros fiéis
Que não jogo aos ares
Sapatos que não abandono
Pois às vezes me questiono
O porquê de tantos pares

Se só tenho dois pés.

sábado, 11 de maio de 2013

Dreams

Época de verão, fim de ano, tocava o sino do final da aula e ía para a casa que ficava a um quarteirão da escola onde chegava, deixava o caderno, sem muitas anotações, encima da mesa e ia direto para a sala onde havia um aparelho de som. Ali eu ficava até o fim da tarde ouvindo NIrvana através de um CD que comprei de um amigo.   
Ficava horas ouvindo aquele CD e imaginando como aquele sujeito cantava daquela forma gritada e ainda tocava guitarra, ouvia tanto aquele CD que acabei enjoando de todas as músicas e resolvi procurar outro som para ouvir, encontrei uma banda americana chamada Van Halen no qual gravei uma fita com o melhor desta banda e comecei a ouvir. Já na primeira música o impacto foi fulminante, uma guitarra dissonante com uma distorção de quebrar vidro de qualquer janela começou a tocar no som, meu pai logo que ouviu a barulheira foi até a sala e fechou a porta para o som não propagar até a cozinha e eu estava lá, sonhando com aquele som que saía daquela guitarra através daquele guitarrista, que era baixinho igual eu, e pronto, meu sonho era ser o Eddie Van Halen e descontar tudo que eu tinha raiva numa guitarra.
Lembro que fui procurar alguém para dar aula de guitarra e acabei achando um professor bem a moda do rock´n roll, cabeludo, meio desleixado e mesmo assim ainda tinha algumas mulheres que frequentavam a sua casa. O professor me mostrou a guitarra que usava, uma guitarra cinza com alguns brilhantes, simplesmente linda. Pois bem, ele pegou a guitarra, plugou num amplificador e começou a solar, o sujeito tocava demais e o bobão aqui ficou babando vendo tudo aquilo.
Comecei as aulas e vi o tanto que era difícil no começo tocar guitarra, não era só pegar ligar e tocar. Havia muita teoria, muita escala, muito cromatismo, muitos acordes para aprender e muito treino para tentar ao menos tocar um solo de alguma música de rock´n roll. 
Como não tinha guitarra, pedi uma para o meu pai e pelo fato de ser dezembro, mês de meu aniversário e do décimo terceiro acabei ganhando uma Tagima Zero , branca e linda na qual tenho até hoje. Esta guitarra foi minha namorada durante muito tempo, como deixei o cabelo crescer não tinha muitas garotas que se interessavam por mim, ou seja, não era belo e mesmo assim não havia mil garotas afim, então eu ficava o dia inteiro trancado na sala de casa treinando e tocando guitarra.
E de tanto treinar, algum tempo depois, comecei a tocar as músicas da banda daquele baixinho que eu tinha o sonho de ser igual e de certa forma eu me senti como se conseguisse ser o Eddie. Eu estava tocando os solos do meu ídolo e ninguém tiraria aquilo de mim.
E depois disso montei banda com meus amigos, tocamos em encontro de motoqueiros e bares,foram shows pequenos, mas de uma certa forma para mim foram show.
Na vida se você almeja algo que sonha, você tem que treinar muito, sempre com muito amor e ao mesmo tempo abrir mão de algumas coisas, mas posso dizer sem sombra de dúvida que vale a pena.

"And in the end on dreams we will depend
`Cause that´s what love is made of"

"E no fim, é dos sonhos que dependeremos
Porque é disso que o amor é feito"

Dreams - Van Halen

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Criptonita



Era uma quarta feira de dezembro, dia de jogo decisivo do tricolor paulista para alcançar a final de um campeonato internacional e eu tinha acabado de chegar em casa, do trabalho.
Tinha comigo minha eterna namorada, minha cunhada e meu sobrinho, um garotinho de olhos puxados, de cabelos loiros pele branca que fica com o rosto rosado com um simples esforço e que consegui influenciar a ser tricolor como eu.
Pois bem, o jogo iria começar, fui à cozinha pegar uma cerveja sentei no sofá e o telefone ligou, atendi e o motivo da ligação era uma ocorrência policial envolvendo um funcionário da empresa no qual necessitavam do meu suporte.
Pronto! Acabou meu jogo, minha cerveja e a minha paciência, fiquei nervoso e impensadamente dei um soco no sofá e quando olhei para o lado vi meu sobrinho olhando assustado para mim, ele nunca tinha visto eu agir daquela maneira, apesar de já ter visto outras pessoas agindo desta forma.
Vesti o terno, ajeitei o cabelo coloquei o sapato e quando fui sair, meu sobrinho perguntou se eu iria voltar nervoso da delegacia, aquela pergunta de alguma maneira me bloqueou, me fez pensar na conduta que cometi sem pensar. Respondi que se o tricolor ganhasse eu iria voltar feliz e fui solucionar a ocorrência.
Chegando na delegacia, avistei um senhor sentado isolado das demais pessoas e logo percebi que este senhor era quem eu deveria prestar suporte jurídico, um pouco afastado estava uma senhora de meia idade, uma jovem e um garotinho um pouco menor que meu sobrinho, todos juntos olhando para mim mas sem falar nada.
Cheguei, sentei do lado do senhor fiz algumas perguntas e orientações e os demais procedimentos jurídicos de praxe. Neste ínterim vi que a senhora, a jovem e o garoto não tiravam o olho de mim, estavam assustados e preocupados, provavelmente nunca tinham ido a uma delegacia por isso resolvi perguntar para o senhor quem eram essas pessoas e ele disse que era sua família, sua esposa, sua filha e seu neto e novamente agi de maneira abrupta, mas desta vez de forma benéfica e abri um sorriso para eles. Levantei e fui em direção à família do senhor e expliquei a situação e olhando para o chão vi aquele menino que de alguma forma estava vendo seu avô naquela situação vexatória e sem entender o que estava acontecendo estava olhando para aquele sujeito baixinho de terno a sua frente, abaixei em direção ao garoto vi seu semblante de preocupação e falei que “já já” ele iria embora junto com seu avô, a mãe do garoto abriu um sorriso e a senhora segurou o choro e logo após o senhor já estava liberado para ir para a casa e quando eu estava indo embora ele me parou, perguntou meu nome, agradeceu e tomamos rumos diferentes.
No caminho de volta para casa, fiquei pensando que cada ação que cometemos somos responsáveis e que às vezes agimos de forma impulsiva e de forma impensada deixando as emoções tomarem conta das nossas condutas e como consequência de nossos atos podemos atingir as pessoas que nos amam e que estão ao nosso lado. Os sentimentos como o nervosismo, ciúmes, tristeza e a baixa autoestima podem ser a fraqueza do ser humano, assim como a criptonita é para o super-homem e não há como bloqueá-las e não é com o estalar dos dedos que elas somem, mas sim com o passar do tempo e com o pensamento de nossas atitudes. É assim que o fraco Ser humano pensante passa a ser o super-homem.
Enfim, cheguei em casa duas horas da manhã, entrei no quarto e estavam todos dormindo, no colchão estava aquele bonequinho loiro dormindo o sono dos anjos, troquei de roupa deitei e dormi já sabendo que o Tricolor havia vencido o jogo e estava na final do campeonato.
Como prometido ao Luiz Davi, cheguei feliz em casa, mas pensei comigo mesmo que aquela felicidade não era pelo simples fato do meu time ter chegado a final do campeonato, mas também de ter visto alguns rostos brilharem com uma alegria sincera.

Um abraço a todos e fiquem com Deus.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Abrahan Lincoln

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln nasceu em 1809 e faleceu, vítima de atentado, em 1865, tendo sido o 16º presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Até hoje, no seu túmulo em Springfield, onde ele morou de 1837 e 1861, está gravada no mármore a frase de Edwin M. Stanton: "Agora ele pertence às idades".
Contou Hélio Sodré que o assassínio de Lincoln encheu de revolta grande parte do povo norte-americano e seus funerais reuniram multidão estimada em um milhão e quinhentos mil cidadãos. É um exemplo incontestável de que é possível vencer com o seu próprio sacrifício.
Em sua mocidade, Lincoln lia, embevecido, as obras de Shakespeare, que o acompanhou até os últimos dias, juntamente com um exemplar da Bíblia. No grande dramaturgo inglês, esse adorável advogado americano deve ter lido o imortal conceito:
"Ser verdadeiramente grande é não mover-se senão nas grandes causas."
Ainda menino, Abraham Lincoln andava vinte e tantos quilômetros até as cidades ribeirinhas, quando havia sessão do Tribunal, a fim de ouvir o debate dos advogados. depois, quando regressava ao trabalho, de repente soltava no campo o enxadão, subia na cerca e repetia os discursos que ouvira dos advogados de Rockport de Boonville.
Um dia um carreiro, que ia para Iowa, parou o seu veículo diante da casa de comércio de Abraham Lincoln, que na época tinha como sócio Berry, um bêbado, filho de um ministro protestante, e daí a vendinha de Lincoln e Berry.
Os cavalos estavam cansados e o cocheiro decidiu aliviar a carga, vendendo a Lincolnuma barrica contendo miudezas domésticas. Lincoln não precisava delas, mas teve pena dos cavalos, pagando ao carreiro 50 centavos sem examinar o conteúdo da barrica.
Uma quinzena depois, despejou o conteúdo ao chão para ver o que ali havia, e eis que no fundo da tralha havia uma edição completa dos "Comentários de Direito" de Blackstone, que Lincoln se pôs a ler. Os lavradores estavam no campo, os fregueses eram raros e havia bastante tempo, e quanto mais lia, mais interessado Lincoln ficava. Nenhum livro lhe interessara tanto, em toda a sua vida. Leu tudo vorazmente e em pouco tempo havia lido os quatro volumes. Tomou então uma decisão séria em sua vida: seria advogado.
Estudou com muitas dificuldades, sendo auxiliado pelos amigos inúmeras vezes, tendo chegado a desanimar algumas vezes, como no dia em que parou na carpintaria de Page Eaton em Springfield e confessou que tinha vontade de abandonar a advocacia e trabalhar como carpinteiro. Outra vez, em New Salem, pensou muito em abandonar os estudos de Direito e fazer-se ferreiro.
Formado, a advocacia não lhe rendia grande coisa e por isto passava por apuros para pagar as suas contas. De fato, atritava-se muito com a esposa Mary, que o acusava constantemente de não saber cobrar os honorários, ou melhor, cobrá-los a preços muito módicos. Os próprios advogados se aborreciam com Lincoln por causa de seus honorários muito baixos e afirmavam que ele estava empobrecendo a todos os seus colegas.
Em 1853, quando tinha 44 anos e seria presidente dentro de oito, não ganhou mais do que 30 dólares para tratar de quatro processos no Tribunal Itinerante de McLean. Dizia que seus clientes eram tão pobres quanto ele e que não tinha coragem de lhes cobrar muito.
Noutro caso - contou Dale Carnegie - impediu que um patife se apossasse de dez mil dólares, propriedade de uma jovem demente. Lincoln ganhou o caso em 20 minutos e dali a uma hora o seu sócio, Ward Lamon, veio dividir os honorários de 250 dólares.Lincoln criticou-o, acerbamente, mas Lamon retrucou que os tratados previamente e que o irmão da cliente estava de acordo.
"Pode ser, redarguiu Lincoln, mas eu não estou. Esse dinheiro sai da bolsa de uma pobre louca. Prefiro passar fome a me aproveitar dela dessa forma. Ou você devolve, ou pelo menos, a metade, ou não aceito um centavo."
Em outra causa, em que um despachante cobrava de uma viúva de um soldado revolucionário a metade de sua pensão de 400 dólares, levando a velhinha à miséria,Lincoln processou o despachante, ganhou a causa e não cobrou um centil da cliente; ao contrário, pagou-lhe a conta do hotel e lhe deu dinheiro para o bilhete de volta.
Às vezes aconselhava os seus clientes a resolverem a pendência por via amigável, e não cobrava nada pela consulta.
Por todas essas coisas, a esposa Mary Lincoln vivia a brigar com o marido: ele não "subia" na vida, enquanto outros advogados enriqueciam à custa dos clientes e das boas aplicações oriundas dos honorários advocatícios.

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Duas orelhas e uma boca - parte 2

Hoje é dia 22 de junho de 2011 e faz exatamente 484 anos da morte de Nicolau Maquiavel, o autor de O Príncipe. Maquiavel não se baseava em um sujeito maldoso e perverso como se faz sinônimo do adjetivo que origina de seu nome (maquiavélico), com o livro O Principe, o objetivo principal era criar uma obra que servisse como sustentação aos governos monárquicos do século XVI, principalmente numa Itália desunida e vulnerável. Como todo doutrinador científico, Maquiavel anotava todos seus experimentos, baseados principalmente em conversas e em longos diálogos acreditando que não se fazia ciência sem anotações.

As anotações são muito utilizadas até nos tempos atuais. Desde os tempos de faculdade, anotava-se muito do que os professores explicavam, anotava no estágio as estratégias jurídicas, anotava até na memória o que os mestres me falavam, posso dizer que algumas eu esqueci e outras não, mas o mais importante não era a anotação em si, era o que seria anotado e o som da voz de quem anotava soava muito pouco em comparação aos ouvidos.

Ha algum tempo atrás escrevi o que acho o melhor texto da minha vida o "Duas orelhas e uma boca" onde descrevo, principalmente, quando conheci um garoto portador do HIV numa casa de recuperação e apoio a dependentes químicos e alcoólatras. Pois bem, há algum tempo atrás, tive a oportunidade de revê-lo voltando do hospital onde estava internado por fortes dores no abdômen, o garoto aparentava fraquesa e estava pálido parecia uma batata,ele passou do meu lado no corredor e foi-se sentar numa cadeira no canto da parede, perguntei a ele se estava bem e me respondeu com um sinal positivo e virou o rosto para a parede, resolvi respeitar o seu espaço e não mais dialoguei. Quando estava indo para a casa, fiquei analisando tudo que aquele menino tinha passado, com a perda dos pais portadores do HIV e dependentes químicos em que o filho acabou herdando, dos maus tratos que recebeu nas ruas, da sua sentença de vida sem direito à ampla defesa, cheguei a conclusão que sua única defesa era não olhar para ninguém.

Assim como Maquiavel este garoto faleceu na data de hoje dia 22 de junho de 2011 e hoje é o meu dia de ficar com o rosto virado para a parede.

Um abraço a todos e fiquem com Deus.




terça-feira, 24 de maio de 2011

Hurricane - Bob Dylan

Furacão

Tiros de revólver ressoam na noite dentro do bar
entra Patty Valentine vinda do salão superior
ela vê o garçon numa poça de sangue
solta um grito "Meu Deus, mataram todos eles!"
aí vem a história do Furacão,
o homem que as autoridades acabaram culpando
por algo que ele nunca fez.
colocando numa cela de prisão, mas houve um tempo
em que podia ter sido o campeão mundial

Três corpos deitados ali é o que Patty vê
e outro homem chamado Bello rodeando misteriosamente
"Eu não fiz isso"ele diz e joga os braços pra cima
"Estava só roubando a registradora , espero que você entenda.
"Eu os vi partindo" ele diz e pára
"É melhor um de nós ligar pros tiras"
e assim Patty chama os tiras
e eles chegam na cena com suas luzes vermelhas piscando
na noite quente de New Jersey

Enquanto isso, bem longe, em outra parte da cidade
Rubin Carter e uns dois amigos estão dando algumas voltas de carro.
O pretendente número um à coroa dos pesos-médios
não tinha idéia do tipo de merda que estava para baixar
quando um tira o fez parar no acostamento
igualzinho à vez anterior e à outra vez antes dessa
em Paterson é assim mesmo que as coisas rolam
se você é negro, melhor nem aparecer na rua
a não ser que queira atrair uma batida policial.

Alfred Bello tinha um parceiro e ele soltou um papo atrás dos tiras
Ele e Arthur Dexter Bradley estavam só fazendo uma ronda
Ele disse "Vi dois homens sairem correndo, pareciam pesos-médios
Pularam dentro de um carro branco com a placa de outro estado"
E a senhorita Patty Valentine apenas assentiu com a cabeça.
Um tira disse, "Esperem um minuto, rapazaes, este aqui não está morto"
Então o levaram à enfermaria
E embora esse homem mal pudesse enxergar
Disseram a ele que podia identificar os culpados.

As 4 da manhã eles arrastam Ruby consigo,
O levam para o hospital e o trazem escada cima
O homem ferido olha pra cima através de seu único olho moribundo
Diz, " Por que vocês o trouxeram aqui dentro? Não é esse o cara!"
Sim, eis aqui a história do Furacão,
O homem que as autoridades acabaram culpando
Por algo que ele nunca fez.
Colocando numa cela de prisão, mas houve um tempo
Em que podia ter sido o campeão mundial.

Quatro meses depois, os guetos estão em chamas,
Rubin está na América do Sul, lutando por seu nome
Enquanto Arthur Dexter Bradley continua no ramo do assalto
E os tiras estão apertando-o, procurando alguém pra culpar.
"Lembra daquele assassinato que aconteceu num bar?"
"Lembra que você disse ter visto o carro fugitivo?"
"Você acha que está a fim de brincar com a lei?"
"Não acha que talvez tenha sido aquele lutador que você viu correndo pela noite?"
"Não se esqueça de que você é branco"

Arthur Dexter Bradley disse "Não tenho muita certeza."
Os tiras disseram, "Um rapaz como você precisa de uma folga da polícia
Te pegamos por aquele serviço no motel e agora estamos conversando com seu amigo Bello
Agora,você não querter de voltar pra cadeia, seja um sujeito legal.
Você estará fazendo um favor a sociedade.
Aquele filho-da-puta é valente e está ficando cada vez mais.
Nós queremos botar o rabo dele pra fritar
Queremos pregar esse triplo assassinato nele
O cara não é nenhum cavalheiro"

Rubin podia apenas nocautear um cara com apenas um soco
Mas nunca gostou muito de falar sobre isso
"É meu trabalho", diria, "E eu o faço para ser pago
E quando isso termina, prefiro cair fora o mais rápido possível
Na direção de algum paraíso
Onde riachos de trutas correm e o ar é ótimo
E andar a cavalo ao longo de uma trilha."
Mas aí o levaram para a cadeia
Onde tentaram transformar um homem num rato.

Todas as cartas de Rubin já estavam marcadas
O julgamento foi um circo de porcos, ele não teve a menor chance.
O juiz fez das testemunhas de Rubin bêbados das favelas
E para os brancos que assistiam, ele era um vagabundo revolucionário
E para os negros, apenas mais um crioulo maluco.
Ninguém duvidava que ele tinha apertado o gatilho.
E embora não conseguissem produzir a arma,
O promotor público disse que era ele o responsável
E o juri, todos de brancos, concordou

Rubin Carter foi falsamente julgado
O crime foi de assassinato "em primeiro grau" adivinha quem testemunhou?
Bello e Bradley,e ambos mentiram descaradamente
E os jornais, todos pegaram uma carona nessa onda.
Como pode a vida de um homem desses
Ficar na palma da mão de algum tolo?
Vê-lo obviamente condenado numa armação
Não teve outro jeito a não ser me fazer sentir vergonha
De morar numa terra onde a justiça é um jogo.

Agora todos os criminosos em seus paletós e gravatas
Estão livres para beber martinis e assitir o sol nascer
enquanto Rubin fica sentado como Buda em uma cela de 3 metros
Um inocente num inferno vivo.
Essa é a história do Furacão,
Mas não terá terminado enquanto não limparem seu nome
E devolverem a ele o tempo que serviu.
Colocado numa cela de prisão, mas houve um tempo
Em que podia ter sido o campeão mundial.

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Rubin Carter, boxeador, conhecido como Hurricane ( Furacão) foi preso em 66, acusado de assassinato em primeiro grau. Foi libertado, após 19 anos de prisão, em 85.
Recentemente sua história foi contada no filme Hurricane, sendo interpretado brilhantemente por Denzel Washington

Bob Dylan foi processado pela Patty Valentine, por ter usado seu nome na música .
Um abraço a todos e fiquem com Deus!

sábado, 26 de março de 2011

Duas orelhas e uma boca

Dois mil e quinhentos metros em 12 minutos! Esse é o percurso que eu estou fazendo em um teste de Cooper que inventei baseado no edital da Acadepol de Minas Gerais, e até que está dando resultado, com uma dieta sem extremismos estou emagrecendo, até parei de andar muito de carro e agora estou fazendo minhas atividades a pé, protocolar petições, buscar a namorada, tudo sem usar o veículo automotor.

Numa dessas caminhadas vou a uma instituição de apoio a dependentes químicos e alcoólatras em que me ofereci para atuar como advogado voluntário. É um começo devagar onde ainda estou aguardando alguns chamados para atuar de alguma forma.

Nesse dia da caminhada encontrei três garotos que estão em recuperação e que ficam no atendimento na entrada da instituição, são três adolescentes aparentemente com idade entre 14 e 16 anos. Depois que cheguei, vi que os três garotos estavam quietos e desconfiados com a minha presença do lado de fora da instituição, onde o que separa a saída da entrada é um portão de garagem e estava eu do lado de fora com traje social e gravata e aqueles garotos sem jeito olhando para mim. É comum esses garotos terem certa reprimenda ou repulsa à pessoas engravatadas, alguns desses garotos já conheceram o judiciário e sabem muito bem como é a forma de alguns membros públicos do judiciário falarem com menores infratores.

Desde minha infância fui muito perceptivo, curioso, como a maioria das crianças sabia tudo que estava acontecendo em minha volta, àquelas conversas sobre família que as crianças não poderiam ouvir, sabia de tudo e também me perguntava por que muitos adultos não davam atenção às crianças, eu falava com algumas pessoas sobre um inseto que vi ou a bola que ganhei e alguns falavam legal! É isso aí!

Com esses garotos eu não iria fazer isso, não iria esperar eles falarem, porque não falariam, já não tiveram atenção dos adultos e muito menos do judiciário que é um órgão muito mais emissor do que ouvinte, nisso eu percebi que um deles estava com o cabelo arrepiado, era vaidoso, e falei para os outros dois garotos: esse aí gosta do Restart! E aquela desconfiança já se fora, o sorriso voltou nas faces desses jovens e foi a entrada para conversarmos sobre música, principalmente sobre rock´n roll e heavy metal, ACDC, Iron Maiden, Ozzy e até Restart, apenas dois conversavam comigo o outro ficava quieto de cabeça baixa, tentei conversar com este garoto, mas ele não me respondeu, era um garoto moreno do sol, com poucos cabelos, chinelo de dedo, o garoto parecia um réu num júri popular, não falava com ninguém só ficava de cabeça baixa, pois bem, despedi deles e fui embora.

Atuando como na infância, fui perguntar daquele garoto e fiquei sabendo que ele fugira de algumas instituições de recuperação e que era portador do vírus HIV desde o nascimento.

No outro dia fui de carro à instituição e encontrei os mesmos garotos e chamei-os para mostrar um Rock´n Roll no carro,uma música que era do guitarrista Steve Vai, dois vieram, somente o garoto de cabeça baixa no dia passado que não foi, depois de mostrar o som, fui tentar conversar com o garoto mas novamente ele não me respondeu, mas perceptivo, vi que ele estava com a camisa do Atlético Mineiro e fiz a pergunta mais besta de todas: você torce pro Galo? Para meu espanto ele respondeu que sim, e fiz outra pergunta besta: e você gosta do Cruzeiro? E para novamente meu espanto ele disse que sim, falei: não acredito! Um torcedor do Atlético que também gosta do Cruzeiro? Nunca vi isso! Ele olhou para mim levantando a cabeça e deu um sorriso, fraco, mas foi um sorriso. Nesse mesmo dia fiquei com aquilo na cabeça, queria comprar alguma coisa do Atlético para dar para ele, queria saber o que ele tinha a dizer e quem sabe com o futebol eu conseguiria tirar algo daquele garoto, porque pelo jeito, ele ouviu muito e falou pouco a vida inteira.

Chegando de tarde na instituição só encontrei os dois garotos que conversei sobre Rock, não encontrei o garoto atleticano, resolvi não perguntar para onde ele foi, fiquei quieto.

Neste dia eu percebi que tenho muito em comum com esses garotos e conversei sobre assuntos que gosto e que eles também gostam, de Rock e de Futebol e lembrei-me de um documentário feito sobre dois garotos americanos que entraram na escola armados e mataram 13 pessoas e depois se mataram no Instituto Escolar Columbine, esses dois garotos americanos escutavam Marilyn Manson, um Rockstar. Questionado por um repórter sobre o que ele falaria para os garotos de Columbine, Marilyn Manson disse: “Eu não falaria nada, eu ouviria o que eles tinham a dizer!”

Um abraço a todos e fiquem com Deus